Daniel Vorcaro: De festas de R$ 20 milhões a presídio federal em Brasília

Mensagens e documentos obtidos pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS fizeram Brasília prender o fôlego na quinta-feira (5) ao revelar as relações próximas que Daniel Vorcaro mantinha com autoridades e políticos.

Mas, além das teias do banqueiro no poder, as trocas de mensagens e informações às quais a BBC News Brasil teve acesso mostram o estilo de vida nababesco que ele e sua família levavam, com viagens, passeios, jantares e festas luxuosas.

Uma delas foi a do aniversário de sua filha em 2021. Entre o fim de julho e o começo de agosto daquele ano, o banqueiro desembolsou US$ 976 mil — o equivalente a R$ 5 milhões na época — para a festa de aniversário da adolescente em uma ilha particular nas Bahamas.

Na conta do banqueiro, enviada por e-mail por uma agência de luxo, estão o aluguel da ilha privada Little Pipe Cay, contratação de DJ, decoração da festa, produção e até a distribuição de bolsas da grife de luxo Cult Gaia com amenities para as convidadas.

A festa aconteceu no auge da pandemia de covid-19. No orçamento, testes de covid estavam incluídos, na ida e na volta da viagem para a família Vorcaro.

As mensagens e e-mails fazem parte da investigação da Polícia Federal que levou à prisão de Daniel Vorcaro na quarta-feira (4/3), autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso do Banco Master.

O ministro também autorizou que documentos, incluindo conversas encontradas no celular de Vorcaro, fossem enviados à CPMI do INSS, que tem apurado a atuação do Master no mercado de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas, objeto da investigação da comissão.

A defesa de Vorcaro afirmou, por meio de nota, que a prisão preventiva do banqueiro ocorreu sem que se “tivesse acesso prévio aos elementos que fundamentaram a medida”, e pediu que o STF apresente informações como as datas das mensagens mencionadas na investigação.

“Daniel Vorcaro sempre esteve à disposição das autoridades e segue colaborando com as investigações”, diz a defesa.

À emissora CNN Brasil, o advogado Roberto Podval reclamou do envio das conversas à CPI: “Toda a intimidade do Vorcaro e de muitos outros está sendo devassada”, afirmou.

A Polícia Federal também encontrou conversas que indicariam que Vorcaro fazia parte de uma “organização criminosa” que atuava “de forma estruturada e com divisão de tarefas”, segundo a investigação.

Entre os membros do grupo, estão Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, Luiz Phillipi Mourão, que estaria conduzindo monitoramento de adversários de Vorcaro, e o policial federal Marilson Roseno da Silva.

Os três também foram presos na quarta-feira. No entanto, segundo as autoridades, horas após ser preso, Mourão tentou se matar na Superintendência Regional da Polícia Federal de Minas Gerais, onde estava sob custódia. Ele foi socorrido por policiais e levado para um hospital em Belo Horizonte, onde permanece em estado grave.

Fonte : Tribuna da Bahia

FOTO   : Reprodução

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