O julgamento dos réus acusados de assassinar a cantora gospel Sara Mariano entra em sua fase decisiva nesta quarta-feira, após dois dias de sessão no Tribunal do Júri. Iniciado na manhã de terça-feira (24/03/2026), o julgamento já contou com o depoimento de testemunhas e interrogatório dos acusados, avançando agora para os debates entre acusação e defesa. O veredito é esperado ainda hoje, em um caso que mobilizou a opinião pública baiana pela brutalidade do crime e pelas circunstâncias que envolveram a morte da artista.
Estrutura do julgamento e dinâmica do júri
O julgamento ocorre na Vara Criminal de Dias D’Ávila, município onde o corpo da vítima foi localizado, o que definiu a competência territorial do processo. Sete jurados compõem o Conselho de Sentença, responsável por decidir sobre a culpabilidade dos acusados, conforme prevê o rito do Tribunal do Júri no ordenamento jurídico brasileiro.
Participam da sessão o representante do Ministério Público, assistente de acusação e os advogados de defesa. Após a fase inicial, marcada pela oitiva de testemunhas e interrogatórios, o julgamento entra agora no momento mais sensível: os debates orais, nos quais acusação e defesa apresentam suas teses, reconstruções dos fatos e argumentos jurídicos.
Esse estágio é decisivo, pois orienta a formação do convencimento dos jurados. Ao final dos debates, caberá ao juiz presidente formular os quesitos que serão submetidos ao Conselho de Sentença, conduzindo à votação que definirá o desfecho do caso.
O crime que chocou a Bahia
A cantora gospel Sara Mariano foi assassinada em 24 de outubro de 2023, em um crime marcado por extrema violência. Segundo as investigações, a vítima foi atraída para um falso evento religioso, emboscada e morta com 22 facadas.
O corpo foi encontrado em Dias D’Ávila, circunstância que determinou a tramitação do processo na comarca local. O caso ganhou grande repercussão pela combinação de fatores: a brutalidade da execução, o uso de um pretexto religioso para atrair a vítima e o perfil público da cantora no meio evangélico.
As investigações apontaram a participação de quatro acusados, com diferentes níveis de envolvimento no planejamento e execução do crime. A materialidade e a autoria foram sustentadas pelo Ministério Público com base em provas periciais, depoimentos e elementos colhidos durante a apuração policial.
Condenação anterior e desdobramentos judiciais
Um dos envolvidos, Gideão Duarte de Lima, já foi julgado anteriormente, em 2025, tendo sido condenado a mais de 20 anos e 4 meses de prisão. A condenação representou um primeiro desfecho parcial do caso, mas o processo seguiu em relação aos demais acusados.
O julgamento atual busca concluir a responsabilização penal dos demais réus, encerrando um dos casos criminais mais emblemáticos recentes na Bahia. A expectativa é de que, com a conclusão desta sessão, haja uma definição completa das responsabilidades individuais no episódio.
A depender do resultado, ainda poderão ocorrer recursos às instâncias superiores, conforme previsto no sistema judicial brasileiro, especialmente em casos julgados pelo Tribunal do Júri.
Fonte : Jornal Grande Bahia
Foto : Reprodução Rede Social
