No fervor da disputa eleitoral, a narrativa do “terrorismo econômico” voltou a ocupar o centro do debate político. Em falas recentes voltadas a engajar a base eleitoral, a deputada federal Ivoneide Caetano (PT) afirmou que a permanência da montadora chinesa BYD no Polo Industrial de Camaçari estaria sob risco ou sofreria sérios entraves caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença a disputa pela Presidência da República no segundo turno.
Trata-se de uma alegação sem qualquer amparo na realidade de negócios da multinacional asiática, funcionando como retórica de campanha para alimentar receios e criar dependência do eleitorado local em relação ao atual governo federal.
A tese de que a BYD “iria embora” ou paralisaria seus planos no país diante de uma mudança de governo desconsidera a magnitude do investimento e o pragmatismo das relações globais:
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Investimento Bilionário e Infraestrutura Física: A BYD assumiu o complexo industrial que pertenceu à Ford em Camaçari com um aporte planejado na ordem de bilhões de reais, englobando a produção local de veículos elétricos e híbridos e a fabricação de chassis de ônibus. Decisões estratégicas desse porte são tomadas com base em estudos de mercado globais, logística, custo-benefício e potencial do consumidor brasileiro, e não condicionadas ao resultado conjuntural de uma eleição presidencial.
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Pragmatismo Comercial e Interesses da China: A relação comercial entre o setor privado da China e o mercado consumidor brasileiro é histórica, sólida e independente das cores partidárias no Palácio do Planalto. A balança comercial entre Brasil e China atingiu recordes em governos de diferentes vertentes ideológicas. As multinacionais chinesas operam mundialmente sob a lógica do pragmatismo e da rentabilidade.
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Livre Mercado e Atração de Capital: Candidaturas ligadas à ala liberal ou conservadora, como a representada por Flávio Bolsonaro, mantêm como eixo central o estímulo aos investimentos privados, a segurança jurídica e a atração de capital externo para geração de emprego. Nenhum plano de governo com essa diretriz atuaria para afugentar uma das maiores indústrias automotivas do mundo, que gera milhares de empregos diretos e indiretos na Bahia.
Promover a ideia de que a vinda ou a permanência de uma grande multinacional depende da manutenção de determinado grupo no poder é uma tentativa de instrumentalizar o medo da população trabalhadora de Camaçari. A BYD investe no potencial do mercado brasileiro e na capacidade produtiva da Bahia — uma decisão de longo prazo que vai além de qualquer disputa eleitoral momentânea.
Fonte : Redação
Foto : Portal Câmara dos Deputados
