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O candidato a vice-governador na chapa de ACM Neto (União Brasil), Zé Cocá (PP), afirmou ontem que recusou um convite para integrar a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e disputar a reeleição como candidato a vice. Em entrevista para a rádio Baiana FM (89,3), o ex-prefeito de Jequié revelou que a proposta foi feita pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima e previa sua filiação ao MDB para ocupar a vaga na chapa governista.
Segundo Cocá, o convite não despertou interesse porque ele não enxergou um projeto político capaz de promover mudanças na Bahia. “De fato fui convidado por Geddel para ir para o MDB. Não me encheu os olhos. Eu não vi um projeto de mudança e de melhora. Eu faço política por paixão, por desafio, mas quando eu vejo um projeto de poder eu não tenho interesse”, declarou.
O progressista também fez questão de destacar que nunca recebeu um convite diretamente do governador Jerônimo Rodrigues para integrar a chapa.
Durante a entrevista, Zé Cocá abordou ainda o cenário político nacional e saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora tenha classificado Bolsonaro como uma pessoa de temperamento difícil, afirmou considerá-lo uma “figura do bem” e disse que o ex-presidente deveria ser mais moderado e ouvir mais as pessoas.
“Bolsonaro é uma figura do bem. Acho um cara explosivo, ele precisava ser mais moderado, uma pessoa que conversasse mais e parasse mais para ouvir”, afirmou.
Questionado sobre a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Cocá criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou a punição como exagerada. Para o candidato, não houve consumação de um golpe e, por isso, a decisão foi desproporcional.
O candidato a vice também comentou a disputa pelo Senado e projetou dificuldades para a campanha de reeleição do senador Jaques Wagner (PT). Na avaliação de Cocá, a investigação conduzida pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero deverá provocar desgaste eleitoral ao petista.
Em junho, Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em mais uma fase da operação, que investiga supostas fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, o senador é suspeito de ter recebido vantagens econômicas indevidas.
Ao justificar sua avaliação, Zé Cocá citou uma pesquisa Quaest divulgada na semana passada que aponta que 62% dos brasileiros acreditam que a investigação prejudica a campanha presidencial de Lula. “Wagner está fora do jogo. Se você avaliar numa pesquisa recente ele já caiu e vai cair ainda muito mais. Não pense que essa operação, pelo que foi e pelo conjunto de coisas que aconteceu, não vai interferir na eleição dele”, afirmou.
Fonte : Tribuna da Bahia
