Jaques Wagner é citado em mensagens da PF

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, apontam para conversas envolvendo o agendamento de reuniões entre ele, o senador Jaques Wagner (PT) e o advogado-geral da União, Jorge Messias. De acordo com informações do jornal O Estado de São Paulo, o conteúdo faz parte da investigação da Operação Compliance Zero, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (30).

Segundo a PF, as mensagens indicam que Wagner organizou um encontro em seu gabinete no Senado e sugeriu que o local seria mais reservado para a reunião. A investigação afirma que um dos encontros teria contado com a presença de Jorge Messias.

Em nota, o advogado-geral da União negou participação na reunião. Segundo a manifestação, Jorge Messias informou “que não participou de reunião com Augusto Lima no gabinete do senador Jaques Wagner no Senado”.

Jaques Wagner não comentou o conteúdo das mensagens divulgadas. Quando a operação foi deflagrada, o senador negou ter atuado em benefício do ex-sócio do Banco Master. Em entrevista concedida à rádio Baiana FM nesta sexta (31), ele afirmou ter “certeza de que vai provar sua inocência”, garantindo que está “tranquilo” e concentrado no processo eleitoral.

As conversas analisadas pela Polícia Federal mostram que, em 19 de abril de 2024, Wagner enviou uma mensagem de áudio a Augusto Ferreira Lima perguntando sobre a possibilidade de um encontro em seu gabinete. O ex-banqueiro respondeu posteriormente, afirmando que não havia visto a mensagem a tempo.

Dias depois, em 28 de abril, Augusto informou que estava em Brasília. No dia seguinte, após uma ligação entre os dois, Wagner enviou a seguinte mensagem de áudio:

“Ô, Guga… é… eu falei com o Messias agora e o presidente infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões… então ele pediu se poderia ser horário de almoço. Que eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto para todo mundo… para ele é natural estar lá, você já teve várias vezes lá com André… Então não teria tanta atenção chamada. Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo, e você não precisa nem passar pela identificação. Então, eu quero ver se para você dá, porque ele acabou de me avisar e aí eu confirmaria com ele… sei lá… meio-dia… Eu tenho CCJ, mas eu espero que meio-dia já tenha terminado e eu posso fazer lá ou na própria liderança do governo, que é mais perto da comissão, é lá embaixo. É até mais fácil de chegar, entendeu? Veja aí e me mande um zap. Abraço”.

No dia seguinte, às 11h58, Augusto Ferreira Lima enviou uma mensagem a Jaques Wagner informando que já havia chegado ao local combinado.

De acordo com a investigação, às 14h03 do mesmo dia, cerca de duas horas após o horário previsto para o encontro, o histórico de conversas entre Augusto Ferreira Lima e Jorge Messias registra uma mensagem automática do WhatsApp informando que o advogado-geral da União “usa uma duração padrão para mensagens temporárias em novas conversas”. Para a Polícia Federal, o registro indica que o contato de Augusto Lima teria sido adicionado por Messias naquele momento.

Fonte : Tribuna da Bahia

Foto   : Divulgação

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