Cinquenta e três pessoas investigadas por crimes de estelionato praticados nos ambientes físico e virtual foram presas durante a Operação Contragolpe, encerrada nesta segunda-feira (3) pela Polícia Civil da Bahia. A ação, iniciada em 27 de julho, reuniu investigações conduzidas ao longo de 2026 e cumpriu mandados judiciais em Salvador, na Região Metropolitana e em municípios do interior do estado.
As apurações identificaram suspeitos envolvidos em fraudes financeiras, clonagem de contas, falsos anúncios de emprego, golpes envolvendo PIX, empréstimos fraudulentos, negociações de veículos e imóveis, falsos leilões e criação de perfis falsos. Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam para identificar outros envolvidos, ampliar a responsabilização criminal e prevenir novas ocorrências.
De acordo com o diretor do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Thomas Galdino, a operação representa uma resposta coordenada da Polícia Civil aos crimes de estelionato no estado. “Além de retirar golpistas de circulação, a operação fortaleceu a integração entre os departamentos, o compartilhamento de informações e a investigação qualificada em todo o território baiano”, afirmou.
Antecedentes
O delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), Felipe Dias, informou que o levantamento sobre os antecedentes criminais dos 53 presos ainda está em fase de consolidação. Apesar disso, segundo ele, muitos dos investigados já possuíam registros anteriores por crimes patrimoniais, principalmente estelionato, além de outras infrações relacionadas.
As investigações também apontaram que parte dos suspeitos atuava em grupos estruturados para a prática das fraudes. Conforme o delegado, foram identificadas associações com divisão de funções, uso de contas bancárias de terceiros, empresas de fachada, “laranjas”, centrais de atendimento clandestinas e ferramentas tecnológicas destinadas a dificultar a identificação dos autores.
Embora nem todos os investigados possam ser enquadrados como integrantes de organização criminosa, nos termos da Lei nº 12.850/2013, Felipe Dias afirmou que há evidências da existência de associações voltadas à prática reiterada de fraudes eletrônicas e estelionatos. As investigações prosseguem para identificar outros participantes e aprofundar a responsabilização dos envolvidos.
Segundo Dias, a principal mudança observada em 2026 foi a consolidação da engenharia social como principal método utilizado pelos golpistas. Em vez de explorar falhas em sistemas, os criminosos induzem as vítimas ao erro por meio de técnicas de persuasão, criação de situações de urgência e exploração da confiança.
Modalidade
Essa estratégia, de acordo com a DRCC, está presente em modalidades como falsa central bancária, falsos investimentos, falso relacionamento amoroso, falso advogado, falso emprego, falso intermediador de vendas e falso funcionário de órgãos públicos. A orientação da Polícia Civil é que a população desconfie de contatos inesperados, evite realizar transferências sob pressão e confirme informações exclusivamente pelos canais oficiais das instituições envolvidas.
Informações sobre suspeitos ou práticas semelhantes podem ser repassadas, de forma sigilosa, por meio do Disque Denúncia 181. A Polícia Civil informou que novas diligências poderão ser realizadas a partir do avanço das investigações.
Fonte : Tribuna da Bahia
Foto : Divulgação / Ascom-PCBA
