A noite da última terça-feira (20) foi marcada por mais um episódio de profunda dor e revolta na Região Metropolitana de Camaçari. Paulo Marques Cabral, trabalhador da limpeza pública da empresa Naturalle, teve sua trajetória abruptamente interrompida ao ser atropelado na BA-099 (Estrada do Coco), na altura de Abrantes. Conhecido pelo profissionalismo, dedicação e pelo bom convívio com a comunidade, Paulo deixa um vazio imensurável entre familiares, amigos e colegas de profissão, além de escancarar uma ferida antiga que insiste em sangrar: a falta de segurança viária no trecho.
O local do acidente, nas proximidades da travessia da Rua da Lagoa Branca — em frente ao estabelecimento Cheiro de Fazenda —, é uma rota diária de extrema importância e risco. Moradores locais e de diversos condomínios residenciais dependem daquela travessia para acessar o centro comercial de Abrantes, região que concentra serviços essenciais como escolas, mercados, farmácias e lotéricas. No entanto, o que deveria ser um direito básico de ir e vir com segurança transformou-se em uma roleta-russa diária para pedestres.
A tragédia que vitimou Paulo Marques Cabral reacende com urgência a discussão sobre a omissão e a lentidão na adoção de medidas estruturais para o trecho. A ausência de sinalização adequada, iluminação precária, fiscalização rigorosa e dispositivos eficientes de proteção — como passarelas ou redutores de velocidade — cobra um preço alto demais: vidas humanas. Não se trata de um caso isolado, mas sim do reflexo de um histórico de acidentes e de apelos da comunidade que parecem ecoar no vazio até que uma nova fatalidade aconteça.
É imperativo que os órgãos competentes e a concessionária responsável pela rodovia deixem de tratar o problema como mero contratempo estatístico. A memória de Paulo Marques Cabral, exemplar trabalhador e cidadão, exige mais do que notas de pesar; exige ação imediata. A comunidade de Abrantes clama por justiça e por intervenções definitivas que garantam o direito elementar de atravessar a rodovia sem o temor de não retornar para casa. Até quando o lucro e a fluidez do tráfego continuarão a valer mais do que a vida humana?
Fonte : Redação
Foto : Portal Abrantes
