A frota de veículos eletrificados já ultrapassa 1,2 milhão de unidades no Brasil e chega a 37.903 veículos na Bahia, segundo levantamento realizado a partir da base oficial da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), referente a julho de 2026. Dentro desse universo, 119.404 veículos estão classificados pela Senatran como híbridos ou híbridos plug-in no país, enquanto a Bahia possui 33.340 veículos nessas duas categorias. Os dados mostram o tamanho que esse mercado já alcançou no país e no Estado, enquanto as vendas de novos eletrificados continuam crescendo em ritmo acelerado.
O mercado geral de veículos novos também cresceu, mas em ritmo menor. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a Bahia registrou 163.207 veículos novos emplacados entre janeiro e julho, considerando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. O volume representa alta de 10,8% em relação ao mesmo período de 2025. Quando considerados apenas automóveis e comerciais leves, o crescimento foi de 9,88%.
A comparação ajuda a dimensionar a velocidade da eletrificação no Estado. Enquanto os automóveis e comerciais leves avançaram 9,88% nos sete primeiros meses, os elétricos e híbridos cresceram 155% em apenas seis meses. O mercado de veículos novos está aquecido, mas os eletrificados avançam muito acima da média.
Híbridos
No Brasil, o movimento também é expressivo. Conforme a Fenabrave, foram emplacados 154.472 veículos híbridos no primeiro semestre de 2026, contra 83.468 no mesmo período do ano passado. A alta foi de 85,07%. Os veículos 100% elétricos chegaram a 90.470 unidades, contra 30.541 no primeiro semestre de 2025, crescimento de 196,29%. Somados, híbridos e elétricos alcançaram 244.942 emplacamentos no Brasil no primeiro semestre. Os híbridos ainda representam a maior parcela desse mercado em volume, mas os elétricos apresentam o crescimento mais acelerado, praticamente triplicando os emplacamentos em um ano.
A mudança já aparece entre os modelos mais vendidos na Bahia. Conforme levantamento baseado nos dados da Fenabrave, em junho a Fiat Strada liderou o mercado estadual, com 546 unidades, mas o segundo e o terceiro lugares ficaram com dois modelos elétricos da BYD: o Dolphin Mini, com 378 emplacamentos, e o Dolphin, com 305. O Dolphin Mini chegou a liderar o ranking de carros de passeio mais vendidos na Bahia no acumulado do ano. Em abril, o modelo somava 1.249 emplacamentos, contra 1.154 do Hyundai Creta. Embora tenha perdido a liderança posteriormente com a entrada de novos meses de vendas, o resultado mostrou que um modelo elétrico já conseguia disputar o topo do mercado baiano com veículos tradicionais.
Em Salvador, a BYD também ganhou espaço. De acordo com dados divulgados pela fabricante, a empresa liderou o varejo da capital em junho e ficou na primeira posição no varejo baiano e nordestino naquele mês. No primeiro semestre, liderou o varejo em Salvador e terminou na segunda posição na Bahia.
Expansão
O crescimento da BYD tem ainda um componente industrial importante para o Estado. Parte dos veículos que estão conquistando espaço entre os consumidores baianos é produzida em Camaçari, onde a montadora instalou seu complexo industrial. A unidade recebeu investimento anunciado de R$ 5,5 bilhões e produz modelos como Dolphin Mini, King e Song Pro. Em 2026, a fábrica ultrapassou a marca de 4 mil trabalhadores, segundo informações divulgadas pela empresa.
A expansão, porém, não está restrita à BYD. Segundo dados divulgados pela GWM, as vendas da marca cresceram 119% na Bahia no primeiro semestre. A chegada de novas fabricantes e o aumento da oferta de modelos híbridos e elétricos ampliam a concorrência e colocam mais opções à disposição do consumidor. Para Modezil Cerqueira, presidente do Grupo MC, holding da GWM Morena, a procura deve continuar crescendo. “As vendas dos veículos elétricos e híbridos seguirão em alta, pois os consumidores já estão cientes dos benefícios da alta tecnologia, design moderno, eficiência e baixo custo de manutenção”, afirmou.
No mercado nacional, a expansão dos eletrificados ocorre em um cenário de maior concorrência entre fabricantes e também de estímulos do governo federal. O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, avalia que o setor está em expansão, mas ainda enfrenta o custo elevado do crédito. “O primeiro semestre mostra um setor em expansão, mas ainda condicionado pelo custo do crédito. Temos registrado bons indicadores como resultado de Programas como Carro Sustentável e Move Brasil”, afirmou.
O Programa Carro Sustentável, criado pelo governo federal em julho de 2025, reduziu o IPI de determinados veículos que atendem critérios de eficiência energética, emissões, segurança, reciclabilidade e produção nacional. Segundo a Fenabrave, os modelos incluídos no programa tiveram crescimento de 31,4% nas vendas entre 11 de julho de 2025 e 31 de maio de 2026, na comparação com o período equivalente anterior.
O resultado mostra que o programa contribuiu para aquecer as vendas dos modelos contemplados, mas não é possível atribuir a ele, isoladamente, o crescimento de 155% dos eletrificados na Bahia. O Carro Sustentável também contempla veículos a combustão que atendam aos critérios estabelecidos pelo governo.
Programa Move Brasil tem incentivado compra de carros híbridos
Outro mecanismo criado pelo governo federal é o Move Brasil. Em 2026, o programa passou a oferecer uma linha de crédito para taxistas e motoristas de aplicativo comprarem veículos novos de até R$ 150 mil. A modalidade contempla carros flex, híbridos flex, elétricos e modelos movidos exclusivamente a etanol.
A nova linha pode acelerar a renovação da frota utilizada profissionalmente e ampliar a presença de veículos híbridos e elétricos entre taxistas e motoristas de aplicativo. Como essa modalidade começou a operar em junho, porém, ainda é cedo para medir seu impacto específico nas vendas baianas.
Além dos programas públicos, a concorrência entre as fabricantes também pesa no desempenho. A entrada de novas marcas, principalmente chinesas, ampliou a oferta de modelos eletrificados e aumentou a disputa por preço, tecnologia, equipamentos e condições de financiamento.
A expansão dos eletrificados também começa a modificar o mercado fora das concessionárias. Com mais veículos híbridos e elétricos entrando em circulação, o segmento de seminovos deverá receber uma quantidade crescente desses modelos nos próximos anos. Segundo a Associação dos Revendedores de Veículos da Bahia (Assoveba), o mercado de usados continua aquecido e é diretamente influenciado pela renovação da frota de veículos novos. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) apontam que a Bahia comercializou 646.946 veículos usados e seminovos em 2025, alta de 25,2% em relação ao ano anterior e o maior volume do Nordeste.
Mercado
O presidente da Assoveba, Ari Pinheiro Junior, destaca o fortalecimento do mercado e a necessidade de segurança nas negociações. “Os consumidores devem ficar atentos à legitimidade do estabelecimento ou vendedor com quem estejam realizando um processo de compra e venda de bens móveis porque a vinculação a um órgão como a Assoveba permite que a pessoa se sinta resguardada”, afirmou.
Para os eletrificados, o mercado de seminovos deverá trazer novas questões para compradores e revendedores, como avaliação da bateria, garantia, histórico de manutenção e valor de revenda. À medida que os primeiros modelos vendidos em maior escala forem substituídos pelos proprietários, esses veículos começarão a chegar às lojas como usados e seminovos.
A expansão também traz desafios de infraestrutura. Segundo levantamento da ABVE e da Tupi Mobilidade, o Brasil chegou a 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga em maio de 2026. Na Bahia, o avanço das vendas no interior aumenta a necessidade de ampliar a estrutura de carregamento e os serviços especializados fora de Salvador.
Fonte : Correio da Bahia
Foto : Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
