O aperto no orçamento tem levado mais idosos baianos à mesa de negociação. Entre janeiro e agosto deste ano, consumidores com 65 anos ou mais fecharam 49.903 acordos para pagamento de dívidas na Bahia, alta de 26,6% na comparação com os 39.420 registrados no mesmo período de 2025. Em oito meses, foram 10,4 mil negociações a mais, segundo dados divulgados pela Serasa.
O avanço baiano superou o observado no País. No Brasil, consumidores dessa faixa etária fecharam 849 mil acordos nos oito primeiros meses de 2026, crescimento de 23,1% em um ano. Foi a maior alta proporcional entre todas as idades acompanhadas pela Serasa e também ficou acima do crescimento geral das renegociações, de 17,2%.
“Os dados mostram um movimento importante. Os idosos estão buscando cada vez renegociar suas dívidas. Ao mesmo tempo, o crescimento da inadimplência indica que esse esforço acontece em um cenário de pressão financeira”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
Procura
A procura maior por acordos ocorre justamente em um período de avanço das dívidas em atraso entre a população mais velha. Entre agosto de 2025 e agosto deste ano, o número de brasileiros inadimplentes com 60 anos ou mais aumentou 10,7%, a maior alta entre as faixas etárias analisadas. Entre os jovens de 18 a 25 anos, por comparação, o crescimento foi de 1,6%.
Os recortes utilizados pela Serasa são diferentes: os dados de renegociação consideram consumidores a partir dos 65 anos, enquanto o levantamento de inadimplência reúne pessoas com 60 anos ou mais. Ainda assim, os indicadores apontam para uma pressão crescente sobre as finanças da população idosa.
Apesar de liderarem proporcionalmente o avanço das renegociações, os brasileiros com 65 anos ou mais ainda respondem por uma parcela pequena dos acordos. Eles representaram 2,2% das 38,3 milhões de negociações realizadas no País entre janeiro e agosto, menor participação entre as faixas etárias.
Para Aline Vieira, fechar um acordo é apenas uma etapa da reorganização financeira. “Além de renegociar, é importante que esses consumidores tenham suporte e orientação para reorganizar o orçamento e evitar que novas dívidas levem a um novo ciclo de inadimplência”, destaca a especialista.
Negociações
O aumento das negociações na Bahia ocorre, portanto, em duas frentes: mostra que mais consumidores idosos estão buscando regularizar pendências, mas também expõe um cenário em que a renda precisa comportar tanto despesas do cotidiano quanto parcelas de dívidas acumuladas.
Para quem pretende renegociar, a orientação é avaliar quanto realmente cabe no orçamento antes de assumir novas parcelas e priorizar condições que possam ser cumpridas até o fim. A medida reduz o risco de um acordo se transformar em uma nova dívida e prolongar o ciclo de inadimplência.
Fonte : Tribuna da Bahia
Foto : Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
