Pacientes aguardam Regulação na Bahia . Crédito: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO
Há mais de um mês, Sonia Pereira Silva e seus familiares aguardam uma vaga em um hospital com atendimento em hematologia. O sentimento é de apreensão e revolta. Natural de Jequié, a costureira de 52 anos chegou à capital para uma consulta em dia 26 de agosto, após apresentar manchas escuras no corpo e sangramentos. Ela foi diagnosticada em uma unidade de saúde da cidade com baixa taxa nas plaquetas sanguíneas e veio para Salvador em busca de tratamento.
A sobrinha de Sonia, Débora Silva, conta que esses quase 40 dias de internação têm sido muito complicados. “A gente ficou três dias num corredor, sentadas nas cadeiras e ela debilitada, porque perde sangue, o sangue dela não circula. E aí toma bolsa, mas não adianta. É horrível. Aí ela conseguiu ir para um leito lá da UPA, mas não adianta, porque só fica ali na espera”.
Por ser de média complexidade, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Barris, onde Sonia está internada, oferece atendimentos de urgência e emergência, mas não possui capacidade para serviços de hematologia, como o que a costureira precisa.
A Fila da Regulação, gerida pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), busca organizar e intermediar o acesso da população a consultas especializadas, exames, internações e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). A fila funciona por ordem de gravidade/prioridade e não por chegada; quando abre uma vaga, a Central de Regulação faz a gerência e autoriza a transferência do paciente para a unidade. “Na prática, a prioridade deve considerar a condição clínica, a gravidade, o risco de agravamento, a vulnerabilidade e a necessidade de cuidado naquele momento. Por isso, uma situação que inicialmente poderia aguardar pode precisar ser reavaliada se houver mudança no quadro clínico”, explica a pesquisadora, professora da Universidade Católica de Salvador, pós-doutora em psicologia da Saúde Joana Azêvedo Lima.
“Pilha” – O governador Jerônimo Rodrigues confessou esta semana que “caiu na pilha” quando prometeu zerar a fila da regulação na campanha de 2022. Em entrevista a um influenciador digital, disse que fez uma promessa que envolvia a saúde, a vida e, infelizmente, em muitos casos, a morte dos baianos, no embalo do calor eleitoral, sem efetivamente nem saber do que se tratava. Agora, em 2026, recuou e afirmou que vai se “esforçar”. A forma até debochada como se referiu a uma promessa dessa natureza provocou revolta e deixou claro que a saúde dos baianos nunca esteve em primeiro plano. Afinal, para ganhar a eleição, era preciso prometer a todo custo.
Fonte : Correio da Bahia
