O réu Arielson da Conceição dos Santos voltou a confessar a participação no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, ocorrido em agosto de 2023, durante o primeiro dia do julgamento do caso. O acusado falou diante do júri popular durante a tarde desta segunda-feira (13) e disse que queria apenas “dar um susto” na vítima.
A situação teria saído de controle por conta de outro acusado de participação no crime, Josevan Dionisio dos Santos, conhecido como “BZ”, que foi preso em setembro do ano passado. A versão de Arielson foi confirmada pelo advogado de defesa, Marcos Rudá, ao CORREIO.
Outras três testemunhas foram ouvidas durante a tarde. O julgamento foi suspenso após o interrogatório de Arielson e será retomado na terça-feira (14), a partir das 8 horas, no Fórum Ruy Barbosa.
O segundo dia será marcado pelos debates. Primeiro com Ministério Público e assistente de acusação, depois com a defesa. A sessão é conduzida pela Juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.

O crime
A líder quilombola Mãe Bernadete foi morta em 17 de setembro em 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. De acordo com a acusação do Ministério Público da Bahia, o assassinato deve ser analisado dentro de um contexto de disputa territorial, uma vez que a vítima se opunha à permanência do Bonde do Maluco (BDM) na comunidade.
A forma como o ataque foi conduzido, com múltiplos tiros, reforça que a ação foi premeditada e direcionada, segundo o MP-BA. Marílio dos Santos, que está foragido, também é réu pelo crime. Eles são acusados de homicídio qualificado cometido por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito.
As outras três pessoas denunciadas pelo MP, Josevan Dionísio dos Santos, o “BZ”, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus – este último também acusado de ser mandante do crime, ainda não tem data para serem julgados.
Fonte : Correio da Bahia
Foto : Divulgação
