Grande Salvador lidera taxa de mortes entre baleados, aponta relatório

Mesmo com a queda de 16% no número total de tiroteios em 2025, Salvador e a Região Metropolitana encerraram o ano com a maior taxa de mortes entre pessoas baleadas nas regiões monitoradas pelo Instituto Fogo Cruzado. De acordo com o relatório anual divulgado pela entidade, 1.525 pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo no período e 1.212 morreram — o que representa uma taxa de 79%.

Além do alto índice de letalidade, o levantamento aponta que 44% dos 1.505 tiroteios registrados na capital e na RMS ocorreram durante ações e operações policiais, o maior percentual da série histórica do instituto na Bahia.

Segundo a coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, Tailane Muniz, o dado da letalidade revela um padrão preocupante. “Em Salvador e na região metropolitana, 1.525 pessoas foram baleadas e 1.212 morreram. Isso significa que, a cada dez pessoas atingidas por disparos de arma de fogo, praticamente oito morrem. É a maior taxa de letalidade entre as regiões metropolitanas que monitoramos”, afirmou à Tribuna da Bahia.

Do total de 1.212 mortes registradas em 2025 por disparos de arma de fogo, 520 ocorreram durante ações policiais, o equivalente a 42,9% dos óbitos. Em 2024, esse percentual era menor. Apesar da redução no número geral de tiroteios — de 1.795 para 1.505 — a proporção de ocorrências durante operações policiais subiu de 38% para 44%.

Na comparação com outras regiões metropolitanas acompanhadas pelo instituto, Salvador apresenta o índice mais elevado de mortes entre baleados. No Recife, por exemplo, a taxa é de 71%, enquanto no Rio de Janeiro é de 55%. Já em Belém, o percentual chega a 78%.

Em relação às mortes decorrentes de ações policiais, a diferença também é significativa. Enquanto 42,9% dos mortos por disparos na Grande Salvador ocorreram nesse contexto, na região metropolitana do Recife o índice é de 2,5%. No Rio de Janeiro, o percentual é de 48,7%, e em Belém, 48,3%.

RMS: Onde o tiro é mais fatal

O relatório aponta ainda que 69 menores de idade foram baleados em 2025 na capital e na RMS, sendo cinco crianças e 64 adolescentes. Deste total, 18 vítimas (uma criança e 17 adolescentes) foram atingidas durante ações policiais. Segundo Tailane Muniz, o instituto não determina se as vítimas estavam envolvidas em confrontos, já que essa conclusão depende de investigação oficial.

Outro dado que chama atenção é o aumento das mortes em ocorrências classificadas como chacinas, eventos com três ou mais mortos civis. O número de vítimas nesse tipo de episódio durante ações policiais saltou de 55, em 2024, para 95, em 2025, um crescimento de 82%. As Rondas Especiais (Rondesp) estiveram presentes em 52% desses registros no período analisado.

Outro dado que chama atenção é o aumento das mortes em ocorrências classificadas como chacinas, eventos com três ou mais mortos civis. O número de vítimas nesse tipo de episódio durante ações policiais saltou de 55, em 2024, para 95, em 2025, um crescimento de 82%. As Rondas Especiais (Rondesp) estiveram presentes em 52% desses registros no período analisado.

Segundo a secretaria, em 2025 foi implantado o Plano de Atuação Qualificada de Agentes do Estado (PQUALI), que prevê ampliação da capacitação das tropas, reforço do uso da tecnologia e intensificação da doutrina do Policiamento Orientado pela Inteligência. Embora o número total de tiroteios tenha diminuído no período analisado, os dados do relatório indicam que o alto índice de mortes entre pessoas baleadas e o peso das ações policiais nos confrontos seguem como pontos centrais no debate sobre segurança pública na Grande Salvador.

Fonte : Tribuna da Bahia

Foto    : Aldo Matos/Acorda Cidade

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